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sábado, janeiro 17, 2009

Regresso ao Futuro sob o Signo do Karaté

Hoje trazemo-vos um presentinho sob forma de pedacinho de céu embalado num reluzente embrulho youtubiano.

Jogava-se a época de 1993/1994. Mal ou bem, jogava-se a época de 1993/1994.
Eram tempos de fartura, churros e bonomia. As bancadas de terra batida do António Coimbra da Mota causavam expectoração castanha, Petar Mitharski liderava o ataque dos Fama Boys, Mangonga trocava constantemente a primeira letra do nome de Tuck por um "F", o Heitor lesionava três gajos por treino só na marcação de livres directos, e os dentes do Hugo faziam mais furor entre as algarvias do que a Zundapp do Floris Schaap.

Nas Antas, a descontrolada Toni-Mania deixava o luso-guineense sem mãos a medir perante os caçadores de autógrafos, e Alves Nilo Vinha já piscava o olho à Exponor. Porém, quando a brasileiro-soviética União da Madeira chegou à Invicta, ninguém queria saber disso para nada.
O que interessava era a vitória.
(ou no caso da União, um empate a 0-0 com 15 minutos gastos em câimbras, torcicolos, pontapés de baliza, substituições e vendas de cautelas em pleno relvado)

O resultado? Um compêndio de cromicidade extenso, completo e heterogéneo.

Começamos pelo momento Michael J.Fox de Vítor Baía, num verdadeiro Regresso ao Futuro, revisitando aquilo que iria fazer dez anos mais tarde, na resposta a remate de Armando "Le Petit" Teixeira. Só que desta vez a bola entrou mesmo, cortesia do pé-canhão de Hermeluísio Santos.

De seguida, temos o momento Chuck Norris da noite. Em duelo de gigantes, o mítico Chico Nelo leva a melhor sobre o mais carismático dos carregadores de piano, o caxineiro André. Ele, que para além de ser extremamente poupado no uso de pentes, faz gala de um extraordinário bom gosto na hora de dar nomes aos seus rebentos.

Como se já não bastasse o elevadíssimo grau de cromicidade da supracitada agressão, revejam o momento Platoon que a RTP e o próprio filho das Caxinas nos oferecem dos 30 aos 36 segundos do petit-film. Slow motion rocks.

Logo a seguir, o instante mais hilariante do desafio (e provavelmente da jornada, se o Simanic não se tiver equipado).
O sempre calvo José Orlando Semedo - o Zidane de Ovar - entra vagarosamente na grande área, quando é bárbaramente agredido/derrubado pelo finíssimo bigode de Marco Aurélio. O brasileiro, conhecido Atleta de Cristo, bem deve ter rezado uns belos Pai Nossos como penitência pelos impropérios que terá dirigido ao Paulo Batista de serviço após o lance reminiscente do infame vôo de Azar Karadas frente ao Estoril de la Plage.

Como um minutinho apenas pode trazer tanta informação cromíflua às nossas carentes almas...

vídeo fornecido pelo blog basculacao.blogspot.com

segunda-feira, novembro 24, 2008

Os Caça-Fantasmas (revistos)

Ano: 1996.

Facto: Criação do maior fantasma vivo do futebol português.













Pois… Não era bem este. Era mais este que está aqui em baixo à esquerda – abstenham-se das outras distracções, em especial o sujeito de tronco nu que exibe uma compleição física excelente para a prática do berlinde.















Solução: contratar um caça-fantasmas. Ou melhor, dois… não vá a porca torcer o rabo.

Apreciações iniciais do caça-fantasmas #1Popeye Wozniak:









Apesar de não ser o melhor dos cartões de visita, ainda se notava algum optimismo e esperança. Pobres ingénuos.

Apreciações iniciais do caça-fantasmas #2 – Um escandinavo chamado Lars, mas não Ulrich:









Havia uma certa desconfiança logo à partida, o que não augurava nada de bom ao sueco contratado com a missão expressa de eliminar as memórias de Baía. Afinal, estas cadernetas até chegaram a louvar a acutilância ofensiva de Bermúdez e o fino recorte técnico de Glenn Helder

Conclusão: OK, Caça-Fantasmas foi um bom filme, mas isto na vida real é outra coisa.

Não é, Lars?

quinta-feira, janeiro 03, 2008

King Kralj, ou o maldito Aloísio.

Se os genuínos poetas do relvado são capazes de emocionar multidões com o altivo pentear de uma bola, já aqueles que não nasceram com tal talento divino arriscam-se a alugar quarto nas caves do esquecimento. A não ser que consigam cativar as almas das referidas multidões através de repetidas demonstrações de inépcia futeboleira, activando o interruptor da chamada "comédia não-intencional".

O que seria de Bote Botende se tivesse defendido os livres de José Barroso de forma sólida, porém nunca brilhante? Seria neste momento um filho querido do Mundo imaginário de Portugal, onde figuras sui generis jogam à pelota por cima de nuvens feitas de algodão doce? Seria ele Bote Botende, o mito?
Não. Seria Bote Botende, o gajo que poda sebes no bairro "posh" do sempre solarengo burgo de Mbuji-Mayi, Congo.

A comédia não-intencional encontrou na internet um aliado à altura, imortalizando várias figuras cromáticas através de uma joint venture que se prevê imortal. Pelo menos até à concessão da rede rodoviária nacional à empresa Estradas de Portugal acabar. O que vai dar mais ou menos ao mesmo.

Pois bem, o senhor que se segue é uma prova viva de que a falta de jeito nos pode levar longe. Como tantos outros habitantes deste blog, chegou a Portugal com rótulo de craque e certificado internacional de classe insofismável. Titular no Mundial '98, seria finalmente o Caça-Fantasmas que iria acabar de vez com um dos filhos preferidos do "Cromos da Bola": O Fantasma de Vítor Baía. Qual Bill Murray ou Dan Aykroid em 1984, Ivica Kralj pôs a sua arma de feixe de protons às costas e disparou em todas as direcções. Seguramente atingira o afamado fantasma que afinal não conseguira ver. Mas tudo estaria certamente controlado, e o sérvio preparava-se para fazer juz ao nome (sim, "Kralj" significa "Rei" em sérvio) e sentar o seu traseiro real no trono da Invicta.

Mas havia um problema. Ele próprio.
Os primeiros sinais de absurda falta de aptidão chegaram na pré-época, com um perú maior que a barriga do agricultor palmelão, logo frente ao espanhol Tenerife. Nem de propósito, o remate vitorioso tinha saído da bota do Van Basten leceiro, Domingos Paciência de seu nome, e Portista de sua alma.

Lesto a assumir o erro como um homem íntegro e merecedor de sobrenome real, o guardião prontificou-se a explicar que o golo teria sido culpa do central Aloísio. Perdão? Aloísio? O mesmo Aloísio que não estava na baliza? Sim, esse mesmo. Porquê? Ora vejamos a sequência do pensamento real de Ivica Kralj: jogo de apresentação -> Porto vs Sporting -> Aloísio choca com Ivica -> magoa olho do menino -> jogo com Tenerife -> frango -> é do olho -> culpa do Aloísio.

Uma linha de pensamento simples e que deixa bem vincado o carácter forte deste íntegro Rei sérvio, general de tantas batalhas.

Porém, convicto que este faux pas não teria sido mais que um acaso tão aleatório quanto um bom jogo de Ivo Damas ou um pensamento coerente de Vale e Azevedo, o Engº do Penta voltaria a apostar em Ivica Kralj para salvaguardar o último reduto tripeiro.

Digamos que foi uma decisão tão boa quanto a de tentar convencer Petar Krpan a fazer um anúncio a um champô anti-caspa. Cedo os faux pas condimentados a açafrão passaram a fazer parte dos pratos dia do restaurante das Antas.

Leiria, há Boavista e há Dínamo de Zagreb. Mas sobre tudo, há Olympiakos fresquinho e Alverca com bechamel. Comecemos pela iguaria em solo luso: o FC Porto asfixia o seu rival ribatejano e passeia no relvado tal como Eládio Clímaco na voz off de um documentário chunga da RTP2 (e com isto, inauguramos a palavra "chunga" no blog).

0-5 é o resultado, e os alverquenses já baixaram os braços. Ninguém corre, ninguém defende, ninguém ataca. Mas...helás! Eis que surge uma investida pelo flanco esquerdo! Ah...mas o gajo corre sozinho. Vai centrar mas não está ninguém na área para finalizar. Essa é do redes. Será?
Not really. O centro parece inofensivo, direitinho às mãos seguras do guardião, que sem opositor por perto, prepara-se para agarrá-la calmamente. Os companheiros de equipa começam a subir no relvado, pensando já em mais um eficaz contra-ataque e respectivo 0-6 a favor dos azuis-e-brancos. Mas espera lá...este redes não é o que tem aquele problema no olho?
Pimba. Golo. 1-5 no marcador e risos descontrolados na bancada. Pelos vistos, Kralj terá sido incomodado pela insana pressão da linha avançada do Alverca, posicionada algures entre a meia-lua e o seu meio-campo defensivo, e socou a bola para um beijo inesperado às até então invioladas redes. Maldito Aloísio.

Chega? Nem por isso.

16 de Setembro, 1998. Liga dos Campeões da UEFA, palco maior do futebol Mundial. Um palco digno de um Rei. Ou então, próprio de um bobo da côrte. O campeão português vence por dois a zero a cinco minutos do final, fruto de uma excelente exibição e um frango finíssimo do grego Eleftheropoulos, honra lhe seja feita. Os adeptos saem do estádio esfregando as mãos por mais três pontos no saco. Magnífico. Eis que há ecos de 2-1, fruto de desconcentração da defesa lusitana, já a pensar no apito final. Sem grandes problemas, o goal average não conta para grande coisa e obviamente que já não há tempo para mais nada. Mas...mas...o que é isto??Onde é que vai o homem?!?!? Ele está doido! Pimba. Golo. 2-2.
Ah não, ESTA não é culpa do Aloísio!

Caída em desgraça, a carreira do sérvio na Invicta fechou mais celeramente que um SAP numa terra do interior. Sendo certamente dos poucos jogadores dos quais se pode dizer que foram corridos para fora do clube, o Rei Sérvio inscreveu o seu nome a letras de diarreia na História do clube Portuense.

E não só, julgando pelo seu percurso pós-FCP, caracterizado por uma furiosa espiral descendente que o levou por PSV, Partizan e FC Rostov, onde esta época ajudou a carimbar o passaporte para a II Divisão Russa.

Tudo culpa de quem? Damn you, Aloisius! Damn you...

sexta-feira, dezembro 14, 2007

I Will Survive

Longe da vista, longe do coração.

Ou talvez não. Há personagens que nos servem a sopa que aquece a barriguinha e o peito, mesmo quando não dispõem de colher para o efeito.
Ricardo
, o keeper, é uma delas. Quando procurou o exílio para terras de Cervantes e Míner, milhões de almas suspiraram por nada poderem fazer para o impedir.

Afinal, tinhamos acabado de perder o nosso sorriso colectivo enquanto Nação.

Quem ligaria agora para a Sport TV a queixar-se de críticas injustas em directo?
O Stepanov? Nem fala português!
O Bergessio? Para isso era preciso que a caixa de cartão onde vive à porta do estádio tivesse uma tomada para a TV.

Quem faria agora um desenho de uma pata de doberman no cabelo, alegando que "tal como eu, o doberman é um animal muito injustiçado"?
O Gladstone? Não tem cabelo suficiente!
O Binya? Está proibido de entrar em estabelecimentos públicos.

O ponto de situação era negro. As saídas a cruzamentos já não nos criavam uma dose de expectativa similar ao lançamento de mais um álbum de Jon Secada. Era tudo uma pasmaceira.

Aquela familiar voz de cana rachada já não ecoava doucement nos martirizados canais auditivos da populaça. A formação de barreira na marcação de um livre tornou-se numa formalidade tão banal quanto uma tentativa de finalização frustrada(íssima) por parte de Renivaldo Pereira de Jesus.

Oh alegria, porque nos abandonaste? Quais orfãos vagueando descalços pela negra estrada de uma qualquer noite, sentiamos a dor que Santa Clara sentiu quando Klevis Dalipi, Youssef Nader e Sadjó Baldé abandonaram os Açores. Profunda e perfurante.

Mas eis que recebemos uma injecção anestésica, uma infusão de alívio instantâneo por via do lisboeta pasquim "Record", a qual passo a transcrever:

"Ricardo, guarda-redes do Betis, revelou que aguentou os últimos minutos da partida com o Villarreal apesar de lesionado, ao lembrar-se da versão espanhola do tema de Gloria Gaynor "I will Survive", que durante toda a semana de preparação serviu de inspiração para a equipa. "Recordei-me da canção e decidi aguentar para ajudar a equipa", contou o internacional português que têm queixas num adutor(...)"

OK. Giro. Podemos abordar isto de várias formas.

É certo e sabido que o supracitado tema é um Hino gay. Vamos gozar o Ricardinho por causa disso? Claro que não, coitado. Seria fácil demais.
De igual forma demasiado fácil seria imaginar o homem a cantar aquilo com o vozeirão efeminado que todos conhecemos. Mas iriamos entrar outra vez no domínio da bicheza, e não queremos isso, certo?

Pois...vamos então simplesmente classificar o gosto musical do guardião de "extremamente parolo" e deixar o restante gozo e achincalhamento ao critério do freguês.

Porque o que é fácil demais não oferece desafio algum.

domingo, novembro 04, 2007

Popeye from Lodz

Vítor Baía é um nome incontornável do futebol Mundial. Histórico recordista de títulos a nível internacional, este guardião marcou uma época na lusitana bola pelos seus reflexos apuradíssimos, saídas destemidas, destreza nas bolas altas ou capacidade de liderança. A todos os níveis, um símbolo.

E para além de tudo isso, deu ao Mundo Cromático uma benesse que tivemos a oportunidade de degustar como uma bavaroise de framboesa confeccionada pelo bigode do Manuel Luís Goucha em 1992: ao abandonar a Cidade Invicta em busca de glória adicional na Catalunha, Baía não se transformou apenas em portero, pois foi também porteiro - abriu as portas a um exército de sucessores, cada um pior que o anterior.

Nascia o "Fantasma de Baía". E não, não era uma aparição pública do gaiense depois de três semanas sem ir ao solário, foi a designação escolhida pelos sempre criativos e acutilantes escribas para definir a sombra gigante do agora culé, que deixava as atormentadas vidas dos seus sucessores sem ponta de sol.

Eles eram Eriksson, Wozniak e Hilário. Um monstro de três cabeças. Um "Cérbero", cuja missão era manter a inviolabilidade das redes azuis. Não é bem o mesmo que guardar o portal do Mundo dos Mortos, mas deixemos o glamour para os tecnicistas Quinzinho, Chippo e Lipcsei. Aqui a missão é desprovida de glória. Chamem-lhes mártires modernos do sofrimento contemporâneo. Peões num jogo de xadrez disputado por dois traficantes de órgãos coreanos. Tigres de papel numa selva urbana. Ou então, nas sábias palavras do saudoso Tarzan Taborda (o Gabriel Alves da porrada) : "carne para canhão".

O mais sui generis dos três era Andrzej Wozniak. Provavelmente por parecer um cruzamento entre o Popeye e um contabilista. Portador de um look muito em voga entre cepos das balizas nos anos 90 (falamos de Best e Baston), o Popeye Polaco brandia orgulhosamente um charmoso piccolo bigodinho, que fazia pendant com a sempre respeitosa careca, símbolo de confiabilidade e eficácia, qual reluzente bola de bilhar rebolando feliz pelo buraquinho adentro.

Wozniak teve também o condão de esperar pelos grandes momentos. Apesar de ser uma desilusão entre os postes, onde não revelava nenhuma qualidade discernível ao olho humano para além de fazer rir o mais sisudo dos adeptos do desporto-Rei, Mijter Oliveira manteve a confiança inicial no Popeye from Lodz, o que só pode ser visto como uma demonstração da sempre sólida solidariedade de bigodes.
Assim sendo, Andrzej foi um espectador privilegiado de duas das mais badaladas partidas da História recente do futebol Português: do seu cantinho, algures entre o poste direito e o esquerdo, o polaco presenciou as vitórias do FC Porto por 2-3 em Milão (onde ainda quase que conseguiu lixar o brilhante jogo dos colegas com dois golos sofridos), e de 0-5 na Luz (jogo mítico - não pelo Porto espetar 5 batatas no rival, mas porque Popeye from Lodz não sofreu nenhum tento).


Pouco depois destas duas brilhantes deslocações, o polaco foi afastado para abrir caminho a outro senhor. Provavelmente não terá nada a ver com as suas pomposas performances, mas sobretudo porque ver e ouvir a mesma piada muitas vezes seguidas cansa qualquer um, e era de facto necessário ir buscar um refresco. Outro tipo para nos dar alegrias cromáticas.


Para a memória fica esta respeitosa carequinha e a certeza que Popeye from Lodz iria dar 122% em cada uma das suas acções no palco maior do teatro da bola - como a foto ilustra.
Aquele ar de esforço não é normal. É que pela posição do pé, vai sair dali um passezinho de treta para um qualquer Buturovic a 40cm de distância.
Ou isso, ou o gajo está a mandar um bico numa bola medicinal e nós andamos todos a precisar de ir ao oftalmologista do Ivica Kralj.

P.S.: Futebol Clube DE Porto? Mas será que foi o próprio Popeye que escreveu no cromo?
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